Informações

Vivem na Grande São Paulo mais de 2000 índios guarani, distribuídos em aldeias localizadas em duas regiões distintas: o Extremo Sul e o Pico do Jaraguá.

Na década de 1980, foram reconhecidas três áreas de ocupação tradicional do povo guarani na capital paulista, mas a extensão dessas áreas foi sempre insuficiente para a reprodução física e cultural das comunidades, pois nesse período anterior à Constituição de 1988, os Guarani eram taxados preconceituosamente de aculturados. Foi sob forte pressão política contrária que foram demarcadas as Terras Indígenas Guarani da Barragem, com  26,3 ha, Guarani do Krukutu, com 25,9 ha e Jaraguá, com 1,7 ha, sendo essa última a menor área indígena reconhecida no país.

Desde então, os Guarani tem  lutado para ver os limites reais de sua ocupação tradicional reconhecidos, corrigindo a extensão diminuta dessas áreas. Isso porque trata-se das Terras Indígenas com maior maior concentração demográfica do país. Na Terra Indígena Barragem há cerca de 900 pessoas, o que resulta em 34 indivíduos por ha. No Krukutu são aproximadamente 500 pessoas, resultando em 20 indivíduos por ha e no Jaraguá habitam entorno de 700 pessoas com apenas 1,7 ha regularizado (mais de 500 indivíduos por ha!!!), configurando uma  das situações mais dramáticas de desrespeito aos direitos indígenas no país.

Em 2012, a Fundação Nacional do Índio – FUNAI aprovou relatório que descreve os reais limites da ocupação tradicional dos  Guarani no Extremo Sul da Grande São Paulo,  reconhecendo a Terra Indígena Tenondé Porã, com cerca de 15.969 ha, e abrangendo as antigas áreas da Barragem e do Krukutu, reconhecidas na década de 1980 (Ver resumo publicado no Diário Oficial da União).

Em 2013, por sua vez a FUNAI aprovou relatório que descreve os reais limites da ocupação tradicional dos Guarani na região do Pico do Jaraguá, reconhecendo a Terra Indígena Jaraguá, com cerca de 532 ha (Ver resumo publicado no Diário Oficial da União).

Ver Mapas das Terras Indígenas Guarani na Grande São Paulo

Atualmente, a Terra Indígena Tenondé Porã e a Terra Indígena Jaraguá aguardam a emissão da Portaria Declaratória do Ministro da Justiça, para que se possa iniciar o processo de indenização dos ocupantes não indígenas, garantindo a posse plena dos Guarani sobre seu território.

Além das aldeias demarcadas na década de 1980, hoje os Guarani ocupam mais duas aldeias retomadas durante o processo de luta pelar correção dos limites: a aldeia Guyrapaju, no município de São Bernardo do Campo, e aldeia Kalipety, no distrito de Marsilac, São Paulo. Incidem sobre os limites das terras também, vários outros locais que abrigaram aldeias em um passado recente, de onde os Guarani foram expulsos, e que podem ser visualizados em Mapa neste site.

Com essa campanha, os Guarani se articulam para cobrar do Ministro da Justiça que cumpra sua obrigação constitucional, e garanta logo a demarcação das suas terras tradicionais.

Um comentário sobre “Informações

  1. Sou uma apoiadora da causa indígena e a demarcação de terras é um direito dos povos indígenas que viviam aqui e influenciaram nossa forma de viver. Conheço a Tribo Tekoa Pyau e as condições absurdas e desumanas as quais as autoridades brasileiras tem tratado os índios brasileiros que também são cidadãos e merecem respeito. Parabenizo aos guerreiros que resistem com força aos desrespeito contra seu povo!

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