Grande Ato Resistência Guarani SP – dia 24/04 – Vão Livre do Masp – 17h

banner_guaranis_FACE_DIA242

Marque presença no Facebook!

AVISO DE PAUTA

Índios guarani ocupam Av. Paulista, na quinta feira, dia 24/04, para chamar a atenção pela demarcação de suas terras localizadas na periferia da Grande São Paulo

O que?

Grande Ato da Resistência Guarani SP

Onde?

Concentração no Vão Livre do MASP

Quando?

Dia 24/04, a partir das 17hrs

Descrição:

Cerca de 300 indígenas da etnia guarani das aldeias localizadas na Grande São Paulo fazem ato público na quinta-feira, dia 24/04, saindo do Vão Livre do MASP, na Av. Paulista às 17h.

O ato ocorre uma semana depois do lançamento da Campanha Resistência Guarani SP, ocorrido na frente do Pátio do Colégio, na quinta-feira anterior. Na noite anterior ao evento, os Guarani haviam ocupado pacificamente o Museu Anchieta, no espaço interno do Pátio, em uma retomada simbólica do local onde iniciou a colonização das suas terras.

A Campanha Resistência Guarani SP e este Ato Público tem como principal reinvindicação a emissão pelo Ministério da Justiça do documento que garante a demarcação das Terras Indígenas Tenondé Porã e Jaraguá, já reconhecidas pela Funai.

No vídeo oficial da Campanha, os Guarani enviaram presentes ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para sensibilizá-lo, sendo o principal deles uma caneta decorada com trançado tradicional guarani: “Se o problema é a falta de caneta, mandamos essa bela caneta para ele assinar logo a nossa demarcação”, diz o vídeo.

Também lançaram uma petição online pedindo apoio de todos na reinvindicação ao Ministro Cardozo, prometendo enviar uma nova caneta para cada assinatura. A petição já chega à cerca de 3000 assinaturas.

Os indígenas também protestam contra decisão judicial que determina o despejo de cerca de 700 guaranis da aldeia Tekoa Pyau, localizada no Pico do Jaraguá, e que faz parte da área reivindicada como de sua posse tradicional. Eles lançaram ainda outro vídeo sobre esse risco de despejo, pedindo apoio ao Tribunal que vai julgar recurso apresentado pelo MPF e pela União contra a decisão.

Contato para mais informações:

resistenciaguaranisp@yvyrupa.org.br

Assessoria de imprensa:

11 951691747/ 972040234/ 976005699/ 948572816

Lideranças:

11 94696 2786 (David Martim)/ 11 99535 8517 (Jera Giselda)/ 11 99553 2401 (Marcos Tupã)

Site da Campanha Resistência Guarani SP:

http://campanhaguaranisp.yvyrupa.org.br

Mapa das TIs da Grande SP:

http://campanhaguaranisp.yvyrupa.org.br/?page_id=4

Página da Comissão Guarani Yvyrupa no Facebook:

https://www.facebook.com/yvyrupa

Evento Facebook do Grande Ato na Av. Paulista:

https://www.facebook.com/events/294085780746244/

Vídeo da Campanha:

https://www.youtube.com/watch?v=btfb2eY7tSo

Vídeo sobre a ocupação do Pátio do Colégio:

https://www.youtube.com/watch?v=ShzMhVgna-g

Vídeo sobre reintegração de posse contra Guaranis do Jaraguá:

https://www.youtube.com/watch?v=lRr4sYnwGSU

Mais informações:

Demarcação das Terras Indígenas (TI) na Grande São Paulo: TI Jaraguá e TI Tenondé Porã

A população guarani que reside na Grande São Paulo distribui-se hoje em 6 aldeias, que fazem parte de duas Terras Indígenas (TI) atualmente em processo de regularização fundiária.

Duas delas, denominadas Aldeia Ytu e Aldeia Pyau, localizam-se no Pico do Jaraguá e compõem a Terra Indígena Jaraguá. Nelas residem cerca de 700 guarani. A TI Jaraguá foi reconhecida inicialmente na década de 1980, mas foi então regularizada com apenas 1,7 hectare, configurando-se como a menor terra indígena do país. A aldeia Pyau fica fora dessa área e atualmente há uma decisão judicial vigente, que determina o despejo dos Guarani que ali habitam.

A falta absoluta de espaço é o detonante de inúmeros problemas sociais e culturais. A situação dos guarani do Jaraguá foi extremamente agravada pela construção da Rodovia dos Bandeirantes, inaugurada em 1978 sem qualquer consideração à presença indígena. A estrada suprimiu parte de suas áreas de ocupação tradicional.

Em 2002, por fruto da luta das lideranças indígenas, iniciou-se um processo para correção dos limites do território, para adequá-la aos padrões da Constituição de 1988. Finalmente, no dia 30 de abril de 2013, a Fundação Nacional do Índio (Funai) aprovou e publicou no Diário Oficial da União (Portaria FUNAI/PRES No 544) os resultados dos estudos técnicos que reconhecem cerca de 532 hectares como limites constitucionais da Terra Indígena Jaraguá, incluindo as duas aldeias atualmente ocupadas, e as áreas necessárias para a reprodução física e cultural do grupo.

De acordo com o Decreto Presidencial nº 1775, que regulamenta o processo de demarcação de Terras Indígenas no país, abre-se, a partir da publicação desses estudos, período de 90 dias para que os interessados apresentem contestações administrativas. Após esse período, já encerrado, cabe ao Ministro da Justiça publicar uma portaria declaratória que permite iniciar o processo de indenização dos ocupantes não indígenas para devolver as áreas ao usufruto exclusivo das comunidades indígenas. A assinatura dessa portaria é uma das reivindicações dos guarani.

As outras quatro aldeias localizam-se no extremo sul da metrópole, na beira da represa Billings, duas delas em Parelheiros (Aldeia Barragem e Aldeia Krukutu), uma próxima ao distrito de Marsilac (Tekoa Kalipety) e a última em São Bernardo do Campo (Aldeia Guyrapaju). As duas primeiras haviam sido reconhecidas também na década de 1980, com uma superfície de cerca de 26 hectares cada. Atualmente com uma população de cerca de 1.400 pessoas distribuídas entre as quatro aldeias, as áreas reconhecidas na década de 1980 tem uma densidade populacional crítica de 26 pessoas por hectare, o que também é causa da maioria dos problemas pelas quais enfrentam os Guarani.

Por isso, também após a reivindicação das lideranças, iniciou-se em 2002, um estudo para a correção desses limites, de acordo com os parâmetros constitucionais. Dez anos depois, em 19 de abril de 2012, a Funai também aprovou e publicou no Diário Oficial da União (Portaria FUNAI/PRES No 123) os resultados dos estudos técnicos que reconhecem cerca de 15.969 hectares como compondo os limites constitucionais da Terra Indígena Tenondé Porã, que abrange essas três aldeias da região sul. O processo agora também está nas mãos do Ministro da Justiça, de quem os Guarani reivindicam a publicação imediata da Portaria Declaratória da TI Tenondé Porã.

Processo de Reintegração de Posse contra os Guarani da aldeia Pyau, da Terra Indígena Jaraguá

Desde 2002, os Guarani disputam na justiça a posse da área da aldeia Pyau, onde habita a maioria dos moradores da TI Jaraguá. Dois particulares reclamam reintegração de posse contra os índios desde esse período, alegando terem títulos de propriedade sobre a área. Não há registro, entretanto, de que esses particulares tenham algum dia habitado o local, que os Guarani consideram de seu uso tradicional.

Embora a FUNAI tenha reconhecido a área como parte da Terra Indígena Jaraguá, em 2013, pesou contra os índios uma decisão de reintegração de posse, emitida na primeira instância da Justiça Federal de São Paulo. A decisão encontra-se suspensa, porém, até o julgamento das apelações apresentadas pela União e pelo Ministério Público Federal, e é passível de modificação pelo Tribunal Regional Federal. Segundo o Artigo 231 da Constitução Federal, são considerados nulos e extintos todos os atos administrativos que envolvem a posse de terras tradicionalmente ocupadas por indígenas. Deste modo, emissão da Portaria Declaratória da Terra Indígena Jaraguá pelo Ministro da Justiça tornaria nulos os alegados títulos dos particulares que disputam em juízo a área ocupada pelos Guarani.